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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Formacao de Acordes e Escalas

FORMAÇÃO DE ACORDES

Parte 1:

Na teoria musical para guitarra, a formação de acordes exerce uma grande influência sobre o aprendizado de outras matérias. Um guitarrista que domine a formação de acordes terá muito mais liberdade ao compor e interpretar, devido à maior variedade de desenhos de acordes disponíveis para uso.


Você sabe que cada casa pressionada no braço da guitarra emite uma determinada nota.
A primeira corda solta é um E, pressionada na casa 1 é um F, pressionada na casa 2 é um F#,etc...


Logo, para fazer um acorde, devemos pressionar as casas correspondentes às notas que aquele acorde utiliza, certo?


Todo acorde (Cm, F#, D7, etc...) é formado por uma tríade (ou tétrade) de notas, sendo a principal delas (a tríade) formada por uma tônica (T) , responsável por dar o nome ao acorde (a tônica é necessariamente a nota mais grave do acorde), uma terça (III), que indica se o acorde é maior ou menor e uma quinta (V), que indica se o acorde é dissonante ou consonante.

Parte 2:

Lembrando que:

Dissonante: dá ao ouvido uma sensação de "movimento"
Consonante: dá ao ouvido uma sensação de "repouso"


Bem, já aprendemos que uma tríade é um conjunto de 3 determinadas notas. Vamos ver o exemplo de Dó:

C.....C#.....D.....D#.....E.....F.....F#.....G.....G#.....A .....A#.....B.....C

Ou seja:

I: C
II: D
III: E
IV: F
V: G
VI: A
VII: B
VIII: C

Logo, a tríade de é:

I + III + V = C + E + G

Partindo da mesma fórmula, podemos obter a seguinte tabela de tríades:

.......I.....III.....V
C.....C.....E.....G
D.....D.....F.....A
E.....E.....G.....B
F.....F.....A.....C
G.....G.....B.....D
A.....A.....C.....E
B.....B.....D.....F


Tipologia das tríades

A tipologia da tríade é basicamente sua configuração estrutural considerando os intervalos entre os graus (notas).

Podemos considerar a existência de quatro formas básicas de tipologia de tríades:

Maior
Menor
Aumentada
Diminuta


Mas antes de prosseguirmos, vamos relembrar alguns detalhes:

Primeiramente, relembraremos os nomes dados aos graus da escala:

1º grau – TÔNICA
2º grau – SUPERTÔNICA
3º grau – MEDIANTE
4º grau – SUBDOMINANTE
5º grau – DOMINANTE
6º grau – SUPERDOMINANTE
7º grau – SENSÍVEL OU SUBTÔNICA (em determinadas escalas)
8º grau – TÔNICA

Tônica é a nota da qual a escala tira seu nome. É obrigatoriamente a nota mais grave.
A supertônica é o grau logo acima da tônica (super=acima de).
A mediante é o grau que fica entre o primeiro e o quinto graus.
A subdominante recebe este nome por vir logo antes da dominante, que é o grau mais “importante” depois da tônica, e que é sucedido obviamente pela superdominante.
A sensível, ou nota atrativa, recebe este nome por dar a impressão de tender a subir para o oitavo grau. Isso se explica pelo fato de que a sensível fica a meio tom da tônica. Quando, devido à construção de determinada escala, a sensível fica a 1 tom da tônica, recebe o nome de subtônica.

Para compreendermos melhor os esquemas a seguir, vamos ainda relembrar rapidamente alguns aspectos sobre os intervalos:

Os intervalos são, essencialmente, a distância entre as notas. O nome do intervalo é caracterizado por lembrar o número de graus abrangidos.

Regra: "Os I, III, VI e VII graus podem ser maiores, menores, aumentados ou diminutos. Os IV, V e VIII graus podem ser justos, aumentados ou diminutos."


Legenda:

M – maior
m – menor
A – aumentado
º ou dim – diminuto
J – justo


Listagem de intervalos:

Usando o exemplo de Dó Maior

2M - está a 1 tom da tônica (D)
2m - está a meio tom da tônica (Db)
2A - está a 1 tom e meio da tônica (D#])
- não existe

3M - está a 2 tons da tônica (E)
3m - está a 1 tom e meio da tônica (Eb)
3A - está a 2 tons e meio da tônica (E#)
- está a 1 tom da tônica (Ebb)

4J - está a 2 tons e meio da tônica (F)
4A - está a 3 tons da tônica (F#)
- está a 2 tons da tônica (Fb)

5J - está a 3 tons e meio da tônica (G)
5A - está a 4 tons da tônica (G#)
- está a 3 tons da tônica (Gb)

6M - está a 4 tons e meio da tônica (A)
6m - está a 4 tons da tônica (Ab)
6A - está a 5 tons da tônica (A#)
- está a 3 tons e meio da tônica (Abb)

7M - está a 5 tons e meio da tônica (B)
7m - está a 5 tons da tônica (Bb)
7A - está a 6 tons da tônica (B#)
- está a 4 tons e meio da tônica (Bbb)

8J - está a 6 tons da tônica (C)
8A - está a 6 tons e meio da tônica (C)
- está a 5 tons e meio da tônica (Cb)

Tendo estas informações em mente, podemos prosseguir:

Acorde Maior:

Este nome é dado pela tipologia da tríade, que funciona da seguinte forma:

Entre o I grau e o III grau temos um intervalo de 3ª maior (ou seja, 2 tons). Entre o III grau e o V grau temos um intervalo de 3ª menor (ou seja, 1 tom e 1 semitom).

Lembrando:

Fórmula do acorde maior:

I grau >> 2 tons >> III grau >> 1 tom e meio >> V grau


Vamos então formar alguns acordes maiores:

C

I grau: Dó
III grau: Mi
V grau: Sol

Formada a tríade, vamos analisar se a fórmula foi respeitada:

Dó__Dó#__Ré__Ré#__Mi
---ST--ST--ST---ST---------- 2 tons

Mi__Fá__Fá#__Sol
--ST--ST---ST------------ 1 tom e meio

Agora chegamos num ponto onde outra parte da teoria musical se faz presente: os acidentes.

Vejamos outro exemplo:

Lembrando também da regra básica para a formação de escalas:

T T ST T T T ST

D

D...E...F...G...A...B...C...D

De D a E temos um tom (T).......... ok

De E a F temos um semitom.......... mas deveríamos ter um tom de acordo com a fórmula: T T ST T T T ST

Sendo assim, o que podemos fazer é criar um acidente na nota , aumentando-a em um semitom e tornando-a F#.

Desse modo, teremos cumprido o que diz a fórmula da formação de escalas.

Continuando:

De F# a G temos um semitom..........ok

De G a A temos um tom..........ok

De A a B temos um tom..........ok

De B a C temos um semitom.......... mas deveríamos ter um tom de acordo com a fórmula.

Sustenizamos o C

De B a C# temos um tom.........ok

Continuando...

De C# a D temos um semitom........... ok

De modo que a escala completa fica assim:

D

D...E...F#...G...A...B...C#...D

Acorde menor:

No acorde menor, o esquema triádico é o mesmo. Basicamente, apenas mudamos o intervalo entre os graus.

Entre o I e o III graus devemos ter um intervalo de 3ª menor (1 tom e meio), e entre o III e o V graus devemos ter um intervalo de 3ª maior (2 tons). Ou seja:

Fórmula do acorde menor:

I grau >> 1 tom e meio >> III grau >> 2 tons >> V grau

Montando um acorde menor:

Cm

I grau:
III grau: Mib
V grau: Sol

Vamos agora comparar com a fórmula:


Dó__Dó#__Ré__Mib
---ST-----ST---ST------------- 1 tom e meio


Mib__Mi__Fá__Fá#__Sol
---ST---ST---ST-----ST------------- 2 tons


Acorde diminuto:

O esquema triádico diminuto baseia-se em dois intervalos de 3ª menor dispostos em sequência.

Fórmula do acorde diminuto:

I grau >> 1 tom e meio >> III grau >> 1 tom e meio >> V grau

Formando acordes diminutos:

ou Cdim

I grau:
III grau: Mib
V grau: Solb

Entre as notas e Mi, o intervalo é de 3ª maior. Como precisamos de um intervalo de 3ª menor, baixamos o III grau para Mib.


Dó__Dó#__Ré__Mib
---ST-----ST---ST------------ 1 tom e meio

Entre as notas Mib e Sol, temos um intervalo também de 3ª maior. Por isso, baixamos o V grau para Solb.


Mib__Mi__Fá__Solb
----ST--ST---ST------------ 1 tom e meio

OBS: Outra forma de se formar um acorde diminuta eh pegando a terça e a quinta e diminuir meio tom, e adicionar uma sexta.


Acorde aumentado:

O esquema triádico do acorde aumentado é muito parecido com o do acorde maior, tendo como única diferença a mudança do intervalo entre o III e o IV graus de 3ª menor para 3ª maior. Logo, temos uma tríade composta por dois intervalos de 3ª maior.

Fórmula do acorde aumentado:

I grau >> 2 tons >> III grau >> 2 tons >> V grau

Formemos um acorde:

Caum:

I grau:
III grau: Mi
V grau: Sol#

Entre as notas e Mi, temos uma diferença de 2 tons:


Dó__Dó#__Ré__Ré#__Mi
---ST-----ST---ST-----ST------------ 2 tons


Entre Mi e Sol há um intervalo de 3ª menor. Para combinar com a fórmula, aumentamos o V grau em um semitom, tornando-o Sol#:

Mi__Fá__Fá#__Sol__Sol#
---ST---ST----ST---ST------------- 2 tons

sábado, 20 de novembro de 2010

Sequencia de acordes para violao(2)

Repare nas músicas de sua preferência como aparecem determinadas sequencias de acordes. Estas sequencias não estão ali por acaso. Nem tampouco foram “colocadas” ali porque alguém quis.
Na verdade, as sequencias de acordes dependem da melodia. Quem manda é a melodia. Os acordes só dão as caras por ali se forem chamados pela melodia. Uma maneira simples que encontrei de explicar esta coisa.
Tente, por exemplo, pegar um música que só tem três ou quatro acordes, e – obedecendo o campo harmônico – “enfiar” mais alguns acordes por ali. Pode até funcionar, mas só se a melodia permitir, entende? Se a melodia exige um A (lá maior), você pode até tentar colocar F#m (fá sustenido menor), que é o acorde relativo de A. Mas provavelmente não vai funcionar. Porque a melodia quer porque quer o A. E pronto.
Por este motivo é que músicos experientes parecem conhecer todas as músicas. O cérebro deles, ao ouvir uma melodia, já lhes diz quais acordes vão se encaixar aqui e acolá. Aí você fica olhando e pensa: “ah, se eu tocasse assim…”, é ou não é?
Quer chegar lá? Faça o que estes caras fazem. Estude muito, treine muito e toque muito. É claro que alguns têm mais facilidade. Tem gente que nasce com ouvido privilegiado, é uma coisa incrível. Mas estes são poucos. Se não for este o seu caso, estude as sequencias de acordes em músicas diferentes.


Como estudar sequencias de acordes


Não se deixe enganar por tonalidades. Explicando: uma sequencia de acordes não pertence a nenhuma tonalidade em particular. você pode ter a mesma sequencia de acordes em tonalidades diferentes. E a mesma tonalidade em sequencias de acordes diferentes. Eita! Complicou? Peraí um pouco…
Vamos pegar (pra variar) a tonalidade C (dó maior), cujo campo harmônico é:
1,   2  ,  3,    4,   5,   6,    7
C, Dm, Em, F, G, Am, Bdim
Pois bem. Temos nesta tonalidade os sete acordes do campo harmônico. Ou seja, os sete acordes básicos que podem ser usados nesta tonalidade. Através da numeração acima dos acordes, vamos montar nossas sequencias.
Sequencia A – 1 (C), 4 (F), 5 (G) – uma sequencia bem conhecida e muito usada.
Suponhamos que você tenha diante de si uma música com os acordes D, G e A. É a mesma sequencia, só que não mais na tonalidade C e sim na tonalidade D.
” Mesma sequencia, tonalidade diferente”
É bem fácil deduzir a minha outra afirmação: “mesma tonalidade, sequencia diferente”. Veja a sequencia abaixo:
  1. C, Am, F, G  ou 1, 6, 4, 5 (confira lá em cima) = tonalidade C (mesma tonalidade), sequencia diferente.

Tabela - Sequencia de acordes para violao

A base de dados ou tabelas modal abaixo dá-lhe todos os acordes que podem ser tocadas numa determinada tonalidade.
Cada linha desta tabela dá-lhe 7 acordes básicos para cada tonalidade. Na primeira coluna está a tonalidade.
Em cada célula encontra nomes de acordes de 3 e 4 notas.
Para usar esta tabela:
        • Identifique a tonalidade da partitura
        • Procure esta tonalidade na primeira coluna
        • Você pode usar todos os acordes das duas linhas..
        I       II      III     IV      V       VI      VII
Do      Do      Rem     Mim     Fa      Sol     Lam     Sidim
         DoM7    Rem7    Mim7    FaM7    Sol7    Lam7    Sim7b5

Fa        Fa                Solm             Lam              Sib                Do          Rem         Midim
           FaM7           Solm7           Lam7            SibM7          Do7         Rem7       Mim7b5


Sib     Sib     Dom     Rem     Mib     Fa      Solm    Ladim
        SibM7   Dom7    Rem7    MibM7   Fa7     Solm7   Lam7b5


Mib     Mib     Fam     Solm    Lab     Sib     Dom     Redim
        MibM7   Fam7    Solm7   LabM7   Sib7    Dom7    Rem7b5


Lab     Lab     Sibm    Dom     Reb     Mib     Fam     Soldim
        LabM7   Sibm7   Dom7    RebM7   Mib7    Fam7    Solm7b5


Reb     Reb     Mibm    Fam     Solb    Lab     Sim     Dodim
        RebM7   Mibm7   Fam7    SolbM7  Lab7    Sim7    Dom7b5
 

Solb    Solb    Labm    Sibm    Dob     Reb     Mibm    Fadim
        SolbM7  Labm7   Sibm7   DobM7   Reb7    Mibm7   Fam7b5


Fa#     Fa#     Sol#m   La#m    Si      Do#     Re#m    Mi#dim
        Fa#M7   Sol#m7  La#m7   SiM7    Do#7    Re#m7   Mi#m7b5

Si      Si      Do#m    Re#m    Mi      Fa#     Sol#m   La#dim
        SiM7    Do#m7   Re#m7   MiM7    Fa#7    Sol#m7  La#m7b5


Mi      Mi      Fa#m    Sol#m   La      Si      Do#m    Re#dim
        MiM7    Fa#m7   Sol#m7  LaM7   Si7     Do#m7   Re#m7b5
 

La      La      Sim     Do#m    Re      Mi      Fa#m    Sol#dim
        LaM7    Sim7    Do#m7   ReM7    Mi7     Fa#m7   Sol#m7b5


Re      Re      Mim     Fa#m    Sol     La      Sim     Do#dim
        ReM7    Mim7    Fa#m7   SolM7   La7     Sim7    Do#m7b5


Sol     Sol     Lam     Sim     Do      Re      Mim     Fa#dim
        SolM7   Lam7    Sim7    DoM7    Re7     Mim7    Fa#m7b5


Por exemplo, a armadura da partitura diz-me que a tonalidade da música está Sol (um sustenido na clave). Portanto eu posso usar os 14 acordes das duas linhas do Sol:
E eu escolho acordes de 3 notas. (do Sol ao Fá#dim)
Eu escolho uma sequência de acordes para os 4 primeiros compassos da minha composição: colunas I, VI,II e V
ou seja:     Sol, Mim, Lám, Ré.
Esta seuqência de acordes (I,VI,II,V) é bastante usada em música.